As part of the “100 Days of Speaking Out!”, a countdown to the treaty negotiations, Control Arms will regularly feature stories and profiles of different people who support a bulletproof ATT.

A reflexão abaixo foi fornecido pelo Vitória Bernardes, um sobrevivente da violência armada no Brasil.

“Na tarde do dia 31/12/2001, aos 16 anos de idade, fui vítima de uma bala perdida. Uma única bala atingiu esôfago, traqueia, coluna e medula. Naquele instante me tornei tetraplégica. Sobrevivi, mas carrego em mim, visivelmente, a marca do poder devastador de uma arma.

Tenho convicção que nada será como antes. Mas por mais dificuldades que a nova realidade me imponha, estou aqui, podendo reformular sonhos, construir objetivos, dar continuidade à vida. Chance essa, arrancada brutalmente de tantas pessoas.

É importante compreender que este assunto diz respeito a todos. Só em 2010, as armas de fogo interromperam mais de 35.000 vidas no Brasil. Se considerarmos os suicídios, os acidentes e as mortes de causa indeterminada, o número sobe para mais de 38 mil… Sem contar as pessoas que, como eu, apesar das sequelas, permaneceram vivas.

A partir de 2005 comecei a me envolver com a busca por um maior controle de armas e munições. Em 2010, integrei uma Rede que apoia e busca viabilizar o desarmamento voluntário.

Procuro utilizar minha história para que mais pessoas compreendam as possíveis consequências de uma arma.

Infelizmente, não podemos recuperar as histórias destruídas, as famílias marcadas, mas podemos lutar para que novas vítimas não sejam feitas através da arma de fogo.

Enquanto alguns acreditam que a arma pode oferecer segurança e outros se percebem com o direito de matar para garantir seu poder, eu quero o direito de continuar a viver e lutar para que mais pessoas desfrutem desse mesmo direito.

Os governos não podem ser omissos a tanta dor e sofrimento. Nenhum interesse deve ser maior que o interesse em preservar a vida!”

Share this post:

Verified by MonsterInsights